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Opinião: Leia o artigo de Beto Puttini

Quando o mundo para de girar em torno de um só país: estamos diante de uma nova ordem global?

O mundo atravessa um momento evidente de ruptura política e geopolítica. As notícias internacionais recentes mostram uma mudança significativa na postura dos Estados Unidos, especialmente sob a liderança de Donald Trump.

Historicamente, os Estados Unidos atuaram como um verdadeiro divisor de águas no cenário internacional, sobretudo a partir de 1945, logo após o fim da Segunda Guerra Mundial. Foi nesse período que passaram a liderar a construção de alianças estratégicas que garantiram segurança coletiva, desenvolvimento econômico e relativa estabilidade política ao mundo ocidental. Esse modelo, sustentado por instituições multilaterais, acordos comerciais e alianças militares, trouxe previsibilidade e confiança às relações internacionais por décadas.

Contudo, observa-se, nos últimos anos, uma inflexão preocupante nessa condução. A política externa americana tem se mostrado cada vez mais voltada exclusivamente aos interesses internos, marcada por decisões unilaterais, tom impositivo e uma retórica que sugere que apenas os Estados Unidos seriam capazes de “proteger o mundo”. Sob essa lógica, ações são tomadas sem amplo diálogo internacional, produzindo instabilidade global e fragilizando consensos que levaram décadas para serem construídos.

Diante desse cenário, surge uma pergunta inevitável: até quando um único país pode se colocar como centro e controlador do mundo?
Apesar de seu enorme poder militar, tecnológico e econômico, os Estados Unidos não são autossuficientes. Dependem de outros países para alimentos, minérios estratégicos, cadeias produtivas e mercados consumidores. Além disso, enfrentam desafios internos relevantes em áreas como saúde pública, educação e desigualdade social. Nenhuma nação — por mais poderosa que seja — prospera isolada dentro de uma bolha.

Paralelamente, o mundo começa a se reorganizar. Países europeus têm buscado maior autonomia estratégica, fortalecendo alianças regionais e firmando novos acordos comerciais fora do eixo tradicional dos Estados Unidos. Um exemplo claro disso é a intensificação das negociações e avanços nos acordos entre a União Europeia e o Mercosul, sinalizando uma tentativa concreta de diversificação de mercados, redução de dependências e ampliação das relações econômicas globais.

Ao mesmo tempo, a China já adotou há anos uma estratégia semelhante, diversificando parceiros e reduzindo vulnerabilidades externas. Caso o sistema internacional, de forma coordenada, deixe de atender cegamente às vontades de uma única potência, ficará claro que o egoísmo não sustenta uma liderança global duradoura.

Esse movimento, no entanto, traz temores legítimos. O risco de conflitos armados, crises econômicas e tensões globais cresce quando grandes potências utilizam seu poder militar e econômico para pressionar ou sancionar países menores, muitas vezes ampliando desigualdades e instabilidades regionais.

Como brasileiro, pertencente a um país que não é uma superpotência, mas sim uma potência média, esse contexto preocupa ainda mais. Talvez este seja o momento de refletirmos seriamente sobre nossa dependência histórica de poucos parceiros internacionais. Diversificar mercados, fortalecer blocos regionais como o Mercosul e buscar novas rotas comerciais não é apenas estratégia econômica — é uma questão de soberania, segurança e desenvolvimento de longo prazo. Permanecer na zona de conforto pode ser perigoso em um mundo que muda tão rapidamente.

Fica, portanto, este alerta. O cenário global exige reflexão, cooperação e equilíbrio. O futuro dependerá da capacidade dos países de compreender que multilateralismo, diálogo e respeito mútuo continuam sendo os pilares mais seguros para evitar retrocessos e construir um mundo mais estável, justo e previsível para todos.

Beto Puttini.

 

Humberto José Puttini (Beto Puttini) é o atual secretário de Turismo de Olímpia. Empresário e político experiente, natural de Olímpia, com trajetória destacada na gestão pública. Formado em Direito, possui MBA em Administração Pública e Gerência de Cidades, além de diversas capacitações nas áreas de gestão financeira, pública e turística. Atuou por quatro mandatos consecutivos como vereador e ocupou cargos de liderança como Presidente da Câmara Municipal e Secretário Municipal em diferentes áreas, incluindo Cultura, Esportes, Turismo e Lazer.

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